sexta-feira, 16 de novembro de 2007

The Defex - Beyond Machine Gun Love


Os Defex são uma banda oriunda da cena punk do Colorado, mais propriamente de Denver. As suas influências eram os Pistols, Damned e toda a cena britânica de 1977 com toques da cena nova-iorquina mais dura (leia-se Dead Boys e Ramones). Isso nota-se particularmente no seu som ao vivo.

Formam-se em 1977 e lançam apenas um 7 polegadas em 1979 (Psycho Surfer b/w Machine Gun Love). O single é muito dificil de encontrar e depois de aparecer nas Killed By Death, o seu preço disparou. No entanto, as músicas em estúdio são bastante rápidas e agressivas, o som diferente do captado ao vivo.



Capa do Single de 1979


A Rave-Up, no seu 5º lançamento, lança-nos um concerto ao vivo em 1979 desta banda de Denver. O som é bastante aceitável (ok, estamos em 1979, sim?) e mostra-nos mais uma banda que se tem lançado um LP por uma editora credível tinha dado que falar.

O albúm tem 11 músicas ao vivo. Começa com Turn On U e acaba com o clássico Machine Gun Love. As outras nove músicas andam todas em torno do mesmo. Punk Rock americano com influências do que se fazia em Inglaterra em igual período de tempo. Bem tocado e bem cantado, mostra-nos uma banda coesa e bastante interessante, especialmente se tivermos em conta que não é normal aparecerem bandas punk ou new-wave do Colorado. A influência das bandas britânicas nota-se não só nas melodias como também na liderança do baixo que deambula em escalas um pouco por todo o LP.


Os destaques do LP vão para "Tomorrow", música melódica a fugir para o Powerpop/New Wave, mas sem orgãos, a fazer lembrar uns The Boys ou Damned na fase Machine Gun Etiquette mas com um solo de bateria no meio, para "Dead Heat" que faz lembrar os Dictators no seu primeiro LP e para a cover brilhante dos Kinks em "You Really Got Me". Lá no meio, há ainda tempo para a balada à Dead Boys choradinho... "I Want You Back".

Felizmente Steve Kulpa (baixista e vocalista da banda) não deixa morrer os Defex e continua a publicitar a sua banda de adolescente um pouco por toda a web.

Assim, podem ver um site criado pelo próprio aqui.

E podem ainda ver os seguintes videos, que o próprio colocou à disposição no You Tube. Uma boa lição para as pseudo-estrelas das bandas obscuras de 70/80 em Portugal.

Video de apresentação da banda ao som da música "Toxic Shock Sydrome" (que não vem no album, mas que representa bem o som da banda):



O clássico "Machine Gun Love":



A música que abre o LP, "Turn On U":

domingo, 11 de novembro de 2007

Los Reactors – Dead In The Suburbs


Este foi o 1º LP que tive da Rave Up... e que LP!! Tem um dos melhores temas de sempre da história do Punk Rock. “Dead In The Suburbs” é uma música do outro Mundo e sozinha vale os 10 euros que o disco custa.

Esta edição contém os 2 EP’s que a banda de Tulsa lançou e ainda vários temas ao vivo. Aproveito esta edição para alertar que muitas das edições da Rave-Up têm esse problema: o excesso de temas ao vivo, muitas vezes sem grande qualidade sonora.

Neste caso, as músicas ao vivo até nem têm muito mau som (embora também não tenham um som de qualidade).

No entanto, o LP vale pelo facto de ter os dois 7 polegadas que a banda lançou. Dead In The Suburbs é vendido no e-bay a mais de 600 euros, por isso é de louvar aos Deuses que esta edição tenha visto a luz do dia e permitido a quem a comprou ter acesso a uma música de punk rock com um órgão de fundo que faz toda a diferença. Aliás, é isso que torna os Los Reactors numa banda especial. Para além do Punk Rock rápido a fazer lembrar uns Heartbreakers ou uns Pagans, têm aquele órgão Farfisa sempre em sons deambulantes e a marcar claramente a diferença para o resto das bandas da altura.

Todos os 6 temas em estúdio desta banda são muito bons e captam a mesma essência... punk rock americano com o órgão a marcar a diferença. Desde “Laboratory Baby” (originalmente o lado B de “Dead In The Suburbs”), até “Shake Down”, passando por “Culture Shock” que faz lembrar em várias alturas os Stranglers (por exemplo na “Get A Grip On Yourself).

Os temas ao vivo continuam na mesma linha de Heartbreakers com Stranglers, o que faz pensar do que teria sido desta banda caso tivesse conseguido pôr um LP cá fora por uma editora de peso. A meu ver seriam um caso sério e a “Dead In The Suburubs” apareceria em todos os Best Of’s de punk rock ao lado da “Born To Lose”, “Sonic Reducer” ou “No More Heroes”.

Resta só dizer que recentemente também a Rip Off Records lançou em CD uma edição com as mesmas músicas da edição da Rave-Up, provavelmente mais fácil de encontrar e com a seguinte capa:


Aqui está o clássico "Dead In The Suburbs" tocado na tournée de reunião de 2004 com edição em DVD:

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

The Testors – New York City Punk Rock 1979



Que melhor maneira de começar as reviews ao trabalho da Rave-Up senão logo com uma das suas melhores edições... directamente de Nova Iorque: The Testors.

Liderados por Sonny Vincent (que esteve em Portugal no longínquo ano 2000 para um concerto bombástico em Torres Vedras com os “vizinhos” Safety Pins), os Testors eram da linha do punk de NY mais duro. Seguindo as pisadas dos Dead Boys, misturavam a velocidade e a agressividade do Punk Rock com os toques de guitarra do High-Energy dos Stooges e MC5.

Composto apenas por temas gravados em estúdio no ano de 1979, o LP começa com uma música que exemplifica bem o som da banda: rápido, agressivo e com as guitarras sempre no vermelho. “Bad Attitude” é uma das melhores músicas da banda e do disco. Outros exemplos deste estilo são “Black Book” ou o grande clássico “Primal Call”.

Segue-se a outra faceta dos Testors... das músicas mais calmas mas sempre com agressividade e poder. “Break It Down”, o 2º tema do disco, é um exemplo claro do género... mas encontramos outros belos exemplos em “I’m Allowed” ou “Lonely Nights”.

Podemos dizer que o LP está dividido entre o Punk desenfreado com guitarras High-Energy e as músicas mais calmas, mas com agressividade e poder (um pouco na linha das mais calmas dos Dead Boys ou Dictators).

A qualidade sonora é a que encontramos em todas as re-edições dos Testors.

Esta edição está esgotadíssima na Rave-Up Records, mas consegue-se encontrar no E-Bay e em outras distribuidoras sem ter encarecido (outra das vantagens da Rave Up).


Podem ver um vídeo de 2004 de Sonny Vincent a tocar o clássico "Bad Attitude" dos Testors ao vivo:


Novembro - O mês da Rave Up Records


Quem anda dentro destes meandros que é o universo do Punk Killed By Death sabe que é muito complicado (para não dizer impossível) encontrar certo tipo de singles dos anos 70 e inicios de 80.

Dicks Hate The Police, um clássico eterno do punk texano... 1980... o single original é muito complicado de encontrar e quando se encontra é bom que se tenha 500 euros (100 contos na moeda antiga) para desembolsar por ele.

Podia dar centenas de outros exemplos... mas não irei por aí. Como tal, é importantíssimo o papel de certas editoras que re-editam clássicos cujo preço é exurbitante.

Este mês vou dar atenção a uma dessas editoras que já muito lançou para deleite dos fãs do mais obscuro punk rock: RAVE UP RECORDS.

Sediada em Itália, é comandada pelo Sr. Pierpaolo de Iulis, um verdadeiro ícone (podemos chamar-lhe assim) do punk europeu. Este senhor já muito fez pela causa... mas destaca-se claramente o trabalho efectuado na sua editora.

Desde 2000 que tenho contacto com o trabalho da Rave-Up. Desde os primeiros lançamentos (Testors, Los Reactords ou Tazers) até aos mais recentes (New Toys ou Tot Rocket and The Twins), o trabalho feito está documentado e é de louvar.

Mais, para além de punk rock, a Rave Up (através de uma, chamemos-lhe, subdivisão) lança ainda bandas de powerpop de grande qualidade que sacia os desejos de alguns fãs. Lançamentos a ter em conta: Jim Basnight, The Go, Manikins (Australia) e mais recentemente Private Dicks.

Para fechar a contenda, a Rave-Up lança ainda pérolas do punk europeu como os The Doubt (Ulster Punk de topo) ou os "nossos" Aqui D'El Rock.

Tudo isto e muito mais é suficiente para deixar um mês inteiro para falar da Rave Up-Records e dos vários discos que já lançou para o mercado.

Enquanto não saem as reviews, vão-se entretendo aqui.

domingo, 14 de outubro de 2007

The Shivvers - Self-Titled 7" (1980)




Para fãs de Powerpop... aqui está uma obra prima! Os Shivvers, dos Estados Unidos, lançaram este single em 1980 com duas músicas que são verdadeiros clássicos.

No lado A está, provavelmente, uma das 5 melhores musicas power-pop de sempre, que até deu origem ao nome de uma compilação: Teen Line. Transpira melodia, é altamente viciante e a voz feminina aliada à qualidade de execução fazem deste tema uma verdadeira pérola. O single, esse é muito complicado de encontrar, mas há em CD uma re-edição com as várias gravações da banda.

No lado B continuamos no power-pop, aqui já com toques de punk rock. "When I Was Younger" é uma música com um refrão mais agressivo, com uma bateria mais rápida. Clássico que pode perfeitamente aparecer nas edições Killed By Death, sem perder a melodia pop que caracteriza esta banda.

Mas... para quê comentar mais este disco quando podem sacar as duas músicas aqui, cortesia do blog da Killed By Death Records (vale a pena explorar, visto que tem muita coisa de qualidade para sacar).

Teen Line
When I Was Younger

Em video:

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Powertrip - When We Cut We Bleed (1983)

Os Powertrip são das bandas mais genuinas do punk-rock californiano. Lideradas por Jeff Dahl (Angry Samoans e Vox Pop), tiveram sempre músicos de elevado nível nos instrumentos... e elevado nível de estupefacientes no corpo. Curioso o facto de, da formação clássica da banda, apenas Jeff Dahl ainda estar vivo... todos os outros faleceram com problemas relacionados com o consumo abusivo de drogas.

Voltando à música... depois de sair dos Angry Samoans, Jeff Dahl sentiu necessidade de criar um projecto novo e em boa hora o fez. Deixando de lado o Punk-quase-Hardcore dos Samoans, Dahl e companhia criaram um projecto que tinha como influências bandas como Stooges, MC5, Motorhead, Dictators e Dead Boys... e conseguiram com esse mesmo projecto lançar um álbum clássico a todos os níveis.

Lançado originalmente em 1983, "When We Cut We Bleed", apresentava 13 músicas que descarregavam energia, garra, sem perder tecnicismo e qualidade. Com Cheetah Chrome (Dead Boys) a tratar da gravação, durante todo o LP podemos ouvir o punk rock clássico à Dead Boys de "Lab Animal" ou "Powertrip", um High-Energy à Stooges/MC5 de "Into My Eyes", aquele punk rock'n'roll à Dictators de "When We Cut We Bleed", ou as músicas mais rápidas, mesmo Hardcore de "Die"ou "Have a Nice Day".

O álbum é muito bem conseguido e consegue ultrapassar toda e qualquer gravação feita pelos Angry Samoans. O original é complicado de arranjar, mas há boas re-edições com temas extra. A Triple X e a Munster fizeram o favor de trazer de novo à luz do dia este magnífico trabalho e ainda lhe incluíram como temas extra o EP auto-entitulado que conta com 4 músicas que acabam por aparecer no LP, mas com gravação diferente e formação diferente.Por fim, ambas as edições acrescentam também duas músicas ao vivo: uma versão da "Sonic Reducer" dos Dead Boys e uma música que merecia ter sido gravada em estúdio... "Armies Of The Pit" que tem tudo aquilo que um hino tem que ter...

A banda gravou ainda um segundo LP que nunca chegou a ver a luz do dia e, segundo palavras do próprio Jeff Dahl, nunca irá ver, assim como esta banda nunca se irá reunir, nem Dahl irá tocar ao vivo músicas dos Powertrip. Porquê? Dahl diz que sem os seus companheiros já falecidos nada disso faz sentido.

Um bom recado para os novos mercenários que andam por aí a fazer façanhas destas...

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

The Rivals - If Only (1978-1980)


Os Rivals são uma banda britânica que iniciaram a sua carreira em 1978, terminando dois anos depois, com apenas dois EPs lançados: “Future Nights” em 1979 e o clássico “Here Comes The Night” em 1980.

Confesso que apenas conhecia a música “Here Comes The Night” das compilações Back To Front da Incognito Records da Alemanha (vale a pena checkar)... no entanto, por ser uma música simplesmente de topo, decidi arriscar e mandar vir da Detour Records o LP que foi lançado por uma tal de Bin Liner Records (e distribuído pela própria Detour) que juntava todas (?) as gravações feitas por esta banda, mestre no pop-punk.

Quando o LP me chegou às mãos pensei, ainda antes de ouvir, que seria mais uma banda com um single muito forte mas sem correspondência de qualidade no resto das músicas. Não podia estar mais enganado.

O albúm é bom do principio ao fim e não tem uma música que considere má. Conseguem misturar, com grande qualidade, o melhor do punk rock e do power-pop. A banda mais óbvia para comparações são os inevitáveis Buzzcocks. Ao longo do disco deparei-me com várias semelhanças... mas depois têm um toque mais power-pop ao nível de uns Private Dicks ou Fast Cars, o que faz do disco um must-buy! Não percam tempo, porque a edição é limitada e o disco é mesmo de topo!

Desde o Powerpop mais clássico de “Here Comes The Night” ou “Future Rights” até ao Punk Rock mais agressivo de “Flowers” ou “Can’t Help It All” encontram tudo num disco coerente e de ENORME qualidade.

Recomendo vivamente a fãs de Punk Killed By Death, Powerpop e aquele Punk britânico de 77 mais “choradinho” dos The Boys, Buzzcocks ou Undertones.

Mais informações / Comprar:
Em vinil
Em cd

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Johnny Thunders - Blame It On Mom (Ao vivo em 87 - Roxy - L.A.)

Porque os New York Dolls estiveram cá em Portugal aqui vai um tributo aos três membros já falecidos:

Jerry Nolan (bateria)
Arthur "Killer" Kane (baixo)
Johnny Thunders (guitarra)

Em Janeiro de 1987 juntaram-se os três membros dos lendários New York Dolls e deram este concerto memorável, disponível em DVD. Aqui fica um clássico de Thunders a solo: "Blame It On Mom".

Dead Boys - All This And More (Ao vivo em 77 - CBGBs)

Porque um clássico é sempre um clássico... All This And More dos Dead Boys ao vivo em 1977 no lendrário CBGB's.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Fun Things - Self-Titled EP (1980)


Este EP dos Fun Things é, provavelmente, o tesouro mais bem guardado da cena punk rock australiana, celebrizada pelos Saints, Radio Birdman, Victims, Rocks ou Leftovers.

A banda dos irmãos Shephard (que mais tarde formaram os Hoodoo Gurus e os The Monarchs) lançou apenas este EP em 1980 com 4 músicas... todas elas de topo. Sem qualquer dúvida é uma peça que toda a gente deve procurar a re-edição ou as compilações que contém as músicas.

Uma destas compilações é a Do The Pop!, mas há mais... qualquer compilação de punk rock australiano dos anos 70 vale a pena ter... Realce para o 2º volume da Muder Punk que tem o EP completo.

Voltando aos Fun Things, merecem uma descrição de cada uma das músicas.

Savage: O clássico. A música que faz erguer o punho e cantar o refrão com toda a voz disponível. Bandas como os D4, Dialtones, Gotohells ou Electric Frankenstein já a tocaram. É uma música de High-Energy Punk Rock como há poucas. Com uma energia acima da média, faz lembrar a garra dos Stooges (fase Raw Power) misturada com a velocidade de uns Dead Boys e o jogo de guitarras à Mott The Hoople.

Lipstick: Outra música rápida, mas mais melódica e, por assim dizer, "bem feitinha". Claramente fiel ao estilo mais Rock'n'Roll High Energy que o Punk Australiano tem, marca pela diferença pelo jogo de guitarras (mais uma vez à Mott The Hoople) e pela melodia de voz, aqui mais agradável e menos agressiva.

When The Birdmen Fly: A música mais melódica do EP. Simplesmente é daquelas que fica logo no ouvido e trauteia-se logo a letra à primeira audição. Na linha, mais uma vez, das influências já referidas, esta demarca-se claramente por ser orelhuda sem perder em agressividade.

(I Ain't Got) Time Enough For Love: Intro e Riff principal à Dead Boys, refrão mais cantarolável que a banda de Stiv Bators e menos agressivo. Mais uma música com claras influencias de High Energy Punk Rock, aqui com guitarras mais agressivas e menos "gingonas". A malha mais in your face do LP, podia perfeitamente ter sido gravada pelos Dead Boys, devido às semelhanças que podemos ouvir.